9 de março de 2020

Diretora do Senado aponta desafios das emissoras públicas de rádio e TV

A diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado (Secom), Érica Ceolin, apresentou nessa quinta-feira (5), aos participantes do 2º Fórum Nacional de Radiodifusão, os desafios das emissoras públicas de rádio e TV para se manter e aumentar a audiência no cenário atual de inovação digital. Ela foi uma das palestrantes do seminário organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Érica debateu o tema juntamente com o diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), general Luiz Carlos Pereira Gomes, a diretora da TV Câmara, Alessandra Anselmo, e a coordenadora de Jornalismo da TV Justiça, Mayrluce Villela.

— Esse desafio é enorme, porque os canais da União, de interesse do público, lidam com os limites orçamentários e legais. Para a gente é mais difícil fazer a transposição para o mundo virtual e atender o cidadão. A gente está aqui hoje trazendo as nossas demandas, aprendendo, para defender a democracia, levar o interesse da informação e combater as notícias falsas, de uma forma moderna em favor do cidadão — disse Érica.

A diretora apontou a necessidade de vencer as barreiras orçamentárias e as disposições legais para garantir às emissoras públicas o avanço tecnológico. Fato positivo, afirmou Érica, foi a garantia da multiprogramação, possível com o compartilhamento de um canal. Segundo ela, o recurso vem assegurando a expansão da rede legislativa ao possibilitar a divisão dos custos de instalação e manutenção das emissoras nos municípios entre a TV Senado, a TV Câmara e as emissoras estaduais e municipais, que compartilham o canal.

Também reduziria os custos de funcionamento, afirmou a diretora, a reavaliação das taxas cobradas pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), referentes aos direitos autorais, das emissoras públicas de rádio e TV.

Internet

Outra reivindicação, segundo a diretora da Secom do Senado, é garantir o must carry dos canais púbicos nos provedores da internet. Ou seja, a exemplo do que ocorre nos serviços de TV a cabo, as empresas de telecomunicação transportariam, sem desconto na franquia de dados do usuário, os canais obrigatórios da União.

— Ao permitir o must carry das emissoras públicas na internet, a norma vai ao encontro do artigo da Constituição que tornou o acesso à informação um direito fundamental — disse.

No Senado, afirmou Érica, esses temas vêm sendo discutidos e são levados em conta nas compras para atualização tecnológica da Rádio e da TV Senado, que precisam se adaptar para levar ao cidadão informação precisa.

— A produção muda também, porque eu vou ter que conversar numa linguagem ágil, de forma que eu possa estar na internet como o consumidor, o telespectador gosta de ouvir. Eu mudo minha forma de levar a informação. Eu mudo a forma de falar a informação, porque as opções hoje são diversas.

Érica defendeu a transparência de uma comunicação que fale com o cidadão de forma objetiva, plural e moderna. Esse é o princípio, disse a diretora da Secom, capaz de garantir a sobrevivência das consignações da União na atualidade, mesmo em um cenário alterado pela convergência tecnológica.

Audiência

O general Luiz Carlos Pereira Gomes apresentou dados que mostram o crescimento da audiência e leitura nos veículos da EBC, como as emissoras de rádio e TV e a Agência Brasil. O foco do trabalho da empresa, afirmou, é no cidadão e na credibilidade da informação. Segundo ele, os veículos e serviços da empresa “não têm obrigação de dar furo”.

O alcance das emissoras da Câmara foi destacado pela diretora da TV da instituição, Alessandra Anselmo. A Rádio Câmara, por exemplo, disse, está presente em 11 cidades. E houve, nos últimos anos, mudança no perfil dos telespectadores da TV. Em 2014 e 2015, a maioria deles era da classe A. Em 2019, da classe C. Ela falou também da perda de audiência com a migração para o YouTube e redes sociais.

Para a coordenadora de Jornalismo da TV Justiça, Mayrluce Villela, é importante lembrar, especialmente com as fake news, que as emissoras oficiais são fonte primária de informação. E o que garante a audiência, afirmou, é o alcance do sinal e um bom conteúdo. Mayrluce também ressaltou que a TV Justiça é a primeira emissora no país a transmitir 24 horas pelo Twitter.

Fonte: Agência Senado

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